Londres recebe nesta sexta-feira uma das semifinais masculinas mais aguardadas dos últimos anos em Wimbledon: Novak Djokovic, de 39 anos, coloca seu sonho de um inédito 25º título de Grand Slam à prova diante do atual campeão e número um do mundo, Jannik Sinner. Na outra chave, o alemão Alexander Zverev, campeão de Roland Garros, tenta encerrar a surpreendente campanha do wildcard britânico Arthur Fery. O 12º dia do torneio promete emoções à altura da mais tradicional grama do tênis mundial.
A temporada 2025 tem sido marcada por reviravoltas no circuito - assim como acontece em outras modalidades do esporte global que vivem momentos de transição, como o futebol europeu, onde entenda a saída de Salah na janela de verão movimentou o mercado nas últimas semanas. No tênis, o enredo também é de transformações geracionais: Sinner assumiu com firmeza o posto de líder do ranking e da nova geração, enquanto Djokovic insiste em escrever mais um capítulo de uma carreira sem precedentes. entenda a saída de Salah na janela de verão
Djokovic na corda bamba após maratona nas quartas
O sérvio chegou às semifinais pelo caminho mais duro. Sua vitória sobre Felix Auger-Aliassime nas quartas de final tornou-se a partida mais longa da história de Wimbledon, uma batalha de mais de cinco horas que deixou dúvidas reais sobre suas condições físicas para a sequência do torneio. Aos 39 anos, a recuperação entre rounds passa a ser um fator tão decisivo quanto a qualidade técnica.
Djokovic, no entanto, tem histórico de superar exatamente esse tipo de ceticismo. Em janeiro, no Aberto da Austrália, o sérvio venceu Sinner em uma semifinal de cinco sets, quebrando uma sequência de cinco derrotas consecutivas para o italiano. Ele próprio ressaltou a diferença de contextos: "Foi uma semifinal muito longa contra Sinner. Naquela época era o primeiro grande torneio do ano, vindo de meses de descanso e preparação. Agora é diferente. Mas mesmo assim, mais uma campanha histórica para mim nos Grand Slams." A frase resume bem a postura de um atleta que já foi declarado acabado inúmeras vezes - e respondeu sempre dentro de quadra.
Do lado de Sinner, a motivação é dupla: defender o título conquistado no ano passado e consolidar sua posição como o melhor tenista do planeta. O italiano eliminou o alemão Jan-Lennard Struff nas quartas, lidando bem com o calor que em outras ocasiões o incomodou. Sua relação com Wimbledon e com Djokovic é carregada de história: em 2022, liderava por dois sets antes de sofrer uma virada clássica do sérvio; em 2023, caiu na semifinal; em 2024, venceu o heptacampeão em sets diretos no mesmo estágio, a caminho do título. "Ele venceu este torneio tantas vezes e sabe exatamente como abordá-lo. Estou ansioso para jogar", disse Sinner. O placar no confronto direto está 6-5 favorável ao italiano, o que dá dimensão ao equilíbrio da rivalidade.
Fery contra Zverev: o conto de fadas britânico encontra seu maior desafio
Arthur Fery virou o personagem central do torneio para o público de Wimbledon. O britânico de ranking 114 do mundo tornou-se o primeiro wildcard a alcançar as semifinais masculinas desde que Goran Ivanisevic conquistou o título em 2001 - uma das histórias mais improváveis e romanticamente perfeitas que o tênis já produziu. Na semifinal, ele encontra justamente o tenista em melhor forma do circuito no momento: Alexander Zverev, campeão em Roland Garros no mês passado, disputando sua primeira semifinal em Wimbledon após nove participações sem passar das oitavas.
Fery sabe que o abismo técnico e físico entre ele e o alemão é real, mas aposta no fator que o levou até aqui: a energia da torcida britânica no Centre Court. "Tenho a torcida do meu lado, o que é uma ajuda enorme, especialmente no Centre Court, com tanta gente me empurrando", afirmou. "Tenho tentado usar a torcida a meu favor em momentos importantes, para adicionar um pouco de pressão ao adversário. Vou tentar fazer isso novamente nos momentos que parecerem certos." Nas quartas, o italiano Flavio Cobolli visivelmente sentiu o peso da atmosfera hostil - Fery espera que o roteiro se repita.
Zverev, por sua vez, demonstra experiência para lidar com esse cenário. "Claro que sei que 99% das pessoas vão torcer por ele. Mas também gosto desse tipo de atmosfera. Gosto quando a energia está muito alta", disse o número três do mundo. O alemão busca se tornar o primeiro compatriota a conquistar Wimbledon desde Michael Stich, em 1991 - uma lacuna de mais de três décadas que confere peso histórico adicional à sua campanha. Fery foi direto ao ponto sobre suas chances: "Zverev é mais um passo acima. Estou pronto. Não tenho nada a perder."
O que está em jogo na grama de Londres
Para Djokovic, uma vitória sobre Sinner significaria não apenas uma vaga na final, mas a reafirmação de que o corpo ainda responde às exigências de um Grand Slam em alto nível. O recorde de 25 títulos de Slam permanece o grande objetivo, e Wimbledon - torneio que ele venceu sete vezes - é o palco onde melhor se expressa. Para Sinner, encerrar o ano sem títulos de Grand Slam seria uma surpresa negativa: após a derrota surpreendente em Roland Garros para Juan Manuel Cerundolo na segunda rodada, quando desperdiçou dois sets e uma vantagem de 5-1 no terceiro, o italiano chega com mais do que ambição - chega com algo a provar. O tênis masculino vive um momento raro: um veterano na casa dos 39 anos ainda capaz de questionar a geração que veio para substituí-lo, enquanto um wildcard lembra ao mundo por que o esporte pode ser tão extraordinário.