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Sandra Zaniewska escreve, treina Kostyuk e redefine o papel do técnico no tênis

ALL ENGLAND CLUB, Londres - Marta Kostyuk chegou às semifinais de Wimbledon pela primeira vez na carreira ao derrotar a finalista do torneio em 2024, Jasmine Paolini, por 6-3 e 6-2 nas quartas de final. A ucraniana de 24 anos, cabeça de chave número 12, venceu 21 dos seus últimos 22 jogos e enfrenta a tcheca Linda Nosková, nona pré-classificada, na próxima fase - sua segunda semifinal consecutiva de Grand Slam, um mês após atingir a primeira na carreira em Roland Garros. Por trás dessa ascensão está uma parceria improvável com uma treinadora polonesa que, quando não está na quadra, está escrevendo.

Sandra Zaniewska, de 34 anos, é uma das poucas mulheres a ocupar posição de destaque como técnica no circuito feminino profissional. Mas pergunte a ela sobre essa condição de pioneira, sobre sua carreira como jogadora ou sobre como transformou Kostyuk num perigo real nas segundas semanas de Slams, e você não vai encontrá-la no seu melhor. O que realmente a ilumina é falar sobre o sonho de se tornar escritora - e, de certa forma, para veja a matéria completa entender essa história em toda a sua profundidade, é preciso compreender que Zaniewska já realizou esse sonho enquanto conduzia Kostyuk ao topo.

A redação de uma treinadora: do caderno escolar ao "The Unseen Court"

O estopim foi aos oito anos de idade, numa escola na Polônia. A professora pediu uma redação curta. Zaniewska entregou duas ou três páginas - para uma criança daquela idade, parecia ter escrito um livro inteiro. A nota foi A+. Ela guardou a novidade para si durante a noite, esperou a manhã seguinte numa casa de campo nas montanhas para ter a atenção plena da mãe. A reação da mãe - o engajamento genuíno, a discussão sobre o texto - plantou nela a vontade de um dia ser autora.

Mais de duas décadas depois, Zaniewska criou o newsletter "The Unseen Court", em que narra com franqueza os bastidores da relação entre técnica e atleta. A publicação já se coloca ao lado de iniciativas como o "Finite Jest", da ex-jogadora da WTA Andrea Petkovic, e o "Finding Claire-ity", da atual jogadora Claire Liu, como uma rara janela aberta para a vida interior do tênis. Ela não escreve em polonês e traduz: pensa e redige diretamente em inglês, o idioma que foi sua companhia desde que deixou a Polônia aos 17 anos para treinar na Turquia.

O texto mais recente, publicado às vésperas de Wimbledon, trata sobre a importância de "não fazer nada" como treinadora. "Uma técnica pode estar certa e ainda assim ser inútil", escreveu. "Você pode entender completamente o problema tático, o padrão emocional, o momento em que a jogadora está perdendo a conexão. E mesmo assim, se disser na hora errada, do jeito errado ou do lugar errado, pode não chegar. Uma grande parte do bom treinamento vive nesse espaço desconfortável. Não na intervenção dramática, mas na contenção que a precede."

A ilusão do "de repente" e a construção lenta de um nível que fica

No início da temporada europeia de saibro, quando Kostyuk venceu o Rouen Open e o Madrid Open de forma consecutiva, Zaniewska passou a receber inúmeras perguntas sobre o que havia mudado. Sua resposta foi um ensaio chamado "A Ilusão do De Repente". "No tênis, você pode ter o nível e ainda assim não ter acesso a ele", escreveu. "Há uma diferença entre um nível que aparece e um nível que permanece. Por muito tempo, foi esse o espaço que navegamos. Não tentando encontrar algo novo, não procurando uma peça que faltava. Tentando construir as condições para que o que já estava lá pudesse ser mais confiável."

Kostyuk, que foi treinada pela própria mãe - também ex-jogadora - durante a infância, depois trilhou o circuito praticamente sozinha antes de se encontrar com Zaniewska para um café em Londres há três anos. Ela diz sem hesitar: nada disso teria acontecido sem aquele encontro. Em Zaniewska, encontrou algo próximo de uma irmã mais velha no esporte. A ucraniana é direta, emocional e fala abertamente sobre a família que segue vivendo em Kyiv sob a invasão russa, além do trabalho terapêutico que fez para separar seus resultados no tênis da sua identidade como pessoa.

Sobre o newsletter da treinadora, Kostyuk é entusiasta. "É sempre fascinante para mim como ela consegue transformar pensamentos em palavras e criar uma história a partir disso. Eu adoro ler", disse a jogadora. A treinadora, por sua vez, garante que Kostyuk foi quem a incentivou a publicar os textos que, por anos, ficaram armazenados no laptop como fluxo de consciência pessoal.

Grama, confiança e o material para o próximo ensaio

Há poucos dias, antes de derrotar Emma Navarro nas oitavas de final, Kostyuk confessou publicamente que achava impossível avançar para a segunda semana de Wimbledon neste ano. Ela nunca se sentiu confortável no saibro - desculpe, na grama - e perdia todos os sets de treino. Então se virou para Zaniewska e pediu uma avaliação honesta: a grama servia ao seu jogo? A resposta da treinadora foi direta: "Cem por cento." Kostyuk foi em frente. Agora está na semifinal.

Zaniewska e Kostyuk completam três anos juntas no dia 15 de julho. A treinadora já está pensando no próximo ensaio - sobre onde começaram, o que atravessaram e para onde estão indo. "Quero escrever sobre tênis, então os textos sempre começam um pouco na quadra", disse. "Tento conectar tudo à quadra o tempo todo, e depois ver como aquilo pode se expandir." Com Kostyuk em sua melhor fase e a semifinal de Wimbledon pela frente, o material não falta.